quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Interview to the portuguese site GEO.Pt

Quarta, 14 Setembro 2011 01:48 Flora Cardoso

Floresta Laurissilva encantada e Reserva Natural de grande beleza, a Ilha da Madeira é certamente um dos destinos portugueses com maior potencial ao nível do Nature Caching. O crescimento exponencial dos praticantes da modalidade, nos últimos anos, abriu caminho para a descoberta de alguns trilhos e locais praticamente intocados e paradisíacos que qualquer geocacher anseia por descobrir! O geoPt chega hoje à conversa com o Luisftas, um dos Owners mais activos e dedicados da Ilha da Madeira!


Luis, como descobriste o geocaching e o que é que mais te entusiasma nesta actividade?

Descobri o geocaching através de um grupo de amigos que já o praticava e que começaram a me convidar para lhes acompanhar pois sabiam do meu gosto por desportos ligados à Natureza. De entre esse grupo destaco o geocacher johnsbar que para além de possuir várias caches pela ilha é também responsável por ter incutido o gosto por esta actividade em muita gente.

A grande variedade de trilhos (levadas) e de sítios bonitos e remotos da ilha sempre foram alvo da minha curiosidade e através do geocaching tive a oportunidade de conhecer alguns e de partilhar os que conheço.

Acabas de comemorar um ano de actividade e já és o feliz owner de 43 caches na Madeira, todas elas activas e de boa saúde! Esta é uma responsabilidade que assumes com gosto? O prazer de esconder é tanto ou mais gratificante quanto o entusiasmo da descoberta?

Quando comecei a praticar geocaching a ilha contava com cerca de 70 caches. Á medida que fui avançando nas descobertas, o número de sítios que me eram desconhecidos começou a desaparecer e senti que também podia dar o meu contributo visto conhecer bem muitos dos recantos da ilha. Naturalmente que a manutenção deste número de caches não é fácil, é preciso algum investimento não só em termos económicos como também de tempo, mas a satisfação das pessoas que as encontram dão-me motivação para continuar.




A Ilha da Madeira é um dos destinos mais apetecíveis para os geocachers portugueses, e não só! Na tua opinião, neste momento o geocaching é um bom passaporte para descobrir os melhores locais da Ilha e usufruir em pleno de tudo o que a Madeira tem de mais belo para mostrar?

Acho que o geocaching é uma forma muito boa de descobrir a ilha, e está a melhorar cada vez mais. Existem caches que mostram sítios que nenhum livro terá e que nenhum guia mostrará. Naturalmente que dada a orografia da ilha será preciso muito tempo para fazer todas as caches da ilha, por isso é recomendado um estudo prévio e uma provável selecção.

Quais as caches que consideras imperdíveis na Madeira? Podes partilhar connosco uma breve descrição das aventuras mais aliciante que nos esperam por aí?

Estas são algumas das caches que me deram mais prazer em encontrar:

Todas elas conduzem o geocacher a lugares fantásticos. Algumas requerem algum esforço físico mas encontrá-las rodeados de um verde mágico é sempre uma recompensa muito boa.
Para além destas, grande parte das minhas caches estão colocadas em sítios turísticos de visita obrigatória. Com um estudo prévio conseguem-se conjugar algumas caches criando percursos muito bons.

À espera do geocacher estão tunéis, canyons (Grandes oportunidades para os praticantes de Canyoning), kms de floresta, paisagens deslumbrantes, penhascos, vários miradouros, cascatas, lugares históricos e até lugares recônditos e desconhecidos de muitos dos madeirenses.




Que tipo de geocaching se pratica na Madeira? Grandes desafios físicos, caminhadas, trekking? Como owner, também dás importância à vertente Geo Tourist Friendly (caches pensadas para os turistas)?

Existem vários tipos de caches cá. Se procuramos desafios simples e rápidos, concentramo-nos na zona litoral e urbana. Já as caches do interior incluem normalmente alguns kms e desníveis interessantes nas pernas. A minha cache Caldeirão do Infernoestá por exemplo a 18km (ida e volta) da estrada.

Como owner uma das vertentes a que dou mais importância é o Geo Tourist Friendly, isto porque cerca de 75% dos logs que recebo são de turistas que visitam a ilha. Essa preocupação manifesta-se não só na tradução das páginas como nos sítios em que as caches são colocadas. Esta minha preocupação tornou-se ainda mais importante depois de ter a oportunidade de fazer geocaching em Amesterdão e em Copenhaga e perceber a importância da tradução das descrições.

Como descreves a comunidade do geocaching na Ilha da Madeira? Existem muitos praticantes? É uma comunidade unida e dinâmica?

Os praticantes na ilha eram muito poucos mas nestes últimos anos tem havido um aumento considerável de praticantes. Tendo por base o número de participantes do nosso grupo no Facebook e de alguns geocachers que conheço, eu apontaria para cerca de 100 praticantes.

É uma comunidade nova que ainda não se conhece bem, mas conseguimos verificar que existem muitos pequenos grupos unidos que praticam em conjunto.


Em Novembro de 2010 participaste no 1º GC Meeting Madeira! Este evento contou com a presença de geocachers Madeirenses, mas também algumas presenças do continente e muitos geocachers estrangeiros! Como foi essa experiência? É provável que venham a surgir outros eventos no Funchal ou noutros locais da Ilha?

Foi uma boa experiência para nos conhecermos e para trocarmos ideias. Foi um encontro pequeno pois também o número de praticantes na altura era muito mais reduzido.

Foi neste encontro que conheci um dos grandes dinamizadores do geocaching na Madeira: bacalhau.
É owner de caches muito boas, membro do grupo "Buzicos da Madeira" e é de uma simpatia inigualável, um verdadeiro exemplo. Depois desse primeiro encontro já existiram: Madeira Meetup, 1st Trackable Race GeoPT.org [Madeira] e Prémios GPS [Funchal].

Penso que os eventos irão continuar a se realizar e serão cada vez mais participados.

Voltando ao teu contributo e às tuas caches, para além de partilhares locais fantásticos, uma das características mais impressionantes do teu trabalho são os listings! Caldeirão do Inferno, Green Bunker, ou Descida Infernal são apenas alguns exemplos de listings bem trabalhados, repletos de fotos, amplamente ilustrados e com descrição bilingue. No teu ponto de vista, uma página cuidada acaba por ser uma parte essencial da qualidade geral da cache?

Como já referi, considero a descrição bilingue cá na Madeira essencial devido à elevada percentagem de praticantes estrangeiros. As descrições e as fotos acho que são muito importantes para os geocachers pois dão mais motivação à visita. Para além disso dão vida às caches pois tornam-se únicas e não apenas mais um aglomerado de dados que pouco revelam sobre a cache e sobre o local que vamos visitar. Com certeza que a experiência é muito mais enriquecedora quando sabemos a história do local e os seus pontos de interesse.



Luis, já praticaste geocaching em Portugal Continental e também no estrangeiro, nomeadamente em Espanha ou na Dinamarca. Tens portanto bons pontos de comparação e noção de diferentes espaços! Sendo que estamos a falar de uma Ilha, no que respeita à Madeira encaras a limitação do espaço físico como um problema, ou antes como uma oportunidade para apostar mais na qualidade do geocaching, ao invés da quantidade?

Hoje em dia cerca de dois terços da ilha são reserva natural, a floresta natural da Madeira (a Laurissilva) ocupa mais de 20% da superfície da ilha, sendo que esta é a maior concentração de Laurissilva do mundo. As conhecidas levadas perfazem um total de 2150 km de canais, incluindo 40km de túneis. Perante estes dados e tento em conta a difícil orografia da ilha eu atrevo-me a dizer que apesar do seu tamanho reduzido a ilha têm ainda muitos lugares apetecíveis para a colocação de caches de qualidade. Neste momento ainda não é um problema mas com o aumento do número de owners poderá haver algum exagero. É uma situação que não podemos controlar e que só depende do bom senso de cada um.

Ainda temos em mente as dolorosas imagens da catástrofe natural que se abateu sobre a Madeira em Fevereiro de 2010. Para além de todas as consequências pesadas, a todos os níveis, sofridos na Ilha, esta calamidade teve algum impacto ao nível do Geocaching? Passado praticamente ano e meio, qual o ponto da situação actual sobre esse acontecimento?

Falando exclusivamente do geocaching, o 20 de Fevereiro não teve um impacto tão grande quanto os incêndios que a ilha sofreu em Agosto do mesmo ano. Várias caches foram afectadas e certas áreas do maciço central sofreram danos ao nível paisagístico que demorarão muitos anos a regressar ao esplendor que manifestavam anteriormente.

Fazendo um balanço depois destes dois acontecimentos trágicos, as caches foram recolocadas e podemos verificar a crescente recuperação de trilhos, levadas, pontes e limpeza e recuperação das áreas mais afectadas. Neste momento penso que as marcas serão mais ao nível da paisagem.



Para terminar com uma nota positiva, tens alguns objectivos pessoais no Geocaching? Caches de sonho que ambicionas encontrar, algum local ou país em particular que queiras conhecer, ou como Owner alguns pontos da Madeira que definitivamente vais querer partilhar com a comunidade?

Como objectivos a curto prazo pretendo ir melhorando aos poucos as minhas caches e possivelmente acrescentar mais algumas em lugares que merecem uma visita e que são desconhecidos por muitas pessoas. Espero a longo prazo dedicar uma viagem ao geocaching e porque não no território nacional? Um local que ainda não conheço e que tenho a certeza que está repleto de caches ao meu gosto é o Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Luis, obrigada pela disponibilidade em conceder este Geotalk ao Geopt.org! O nosso desejo é que a Madeira fique positivamente identificada como um dos destinos incontornáveis para os amantes do Geocaching!

Muito obrigada pela entrevista e muitos parabéns pelo vosso trabalho e pelo vosso site.
Espero que o número de visitantes na Madeira seja cada vez maior pois temos muito para oferecer. Estarei disponível para vos ajudar nas vossas aventuras.

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